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APRESENTAÇÃO

"Começa pelo teatro. Ficam proibidos definitivamente quaisquer espetáculos dentro de casas de espetáculo. Considerando que o teatro é uma arte essencialmente popular, e portanto do povo, a peça teatral deve ser representada pelo povo e na rua!"
Roberto Athayde, em O Reacionário

A hiperedição Roberto Athayde: dramaturgia censurada é um arquivo hipermídia, constituída por um acervo digital, edições e estudos referentes aos textos teatrais produzidos pelo dramaturgo, cineasta, poeta e contista carioca Roberto Athayde durante a ditadura civil-militar de 1964.

Com a finalidade de promover divulgação e facilitar o acesso às produções dramatúrgicas do autor de Apareceu a Margarida, bem como conhecer os processos censórios que caracterizaram suas produções teatrais dos anos de chumbo (marcados pela censura prévia instituída pelo Ato Institucional nº 5), e apresentar edições com fins acadêmicos de pesquisa, reunir-se-ão neste acervo os dossiês referentes aos seguintes textos: O Reacionário, Um visitante do alto, Manual de sobrevivência na selva, Apareceu a Margarida, No fundo do sítio, Os Desinibidos e Crime e Impunidade. Até o ano de 2018, apresenta-se o dossiê Os Desinibidos à navegação, ao passo que os demais se encontram em estado de organização ou atualização, como no caso de Apareceu a Margarida, com divulgação prevista para 2019.

Aos 21 anos, Roberto Athayde já havia escrito cinco textos dramáticos, dentre eles, Apareceu a Margarida, uma das peças brasileiras mais encenadas ao redor do mundo ao longo da história, com tradução para cinco línguas. Em 2003, a editora Nova Fronteira publicou uma coletânea dos cinco primeiros textos dramáticos produzidos por Roberto Athayde. Sob o título As peças precoces: Apareceu a Margarida e outras, apresentaram-se, além da obra-prima do autor, os textos O reacionário, Um visitante do alto, Manual de sobrevivência na selva e No fundo do sítio.

Os textos dramáticos do jovem Athayde, produzidos durante a década de 1970, evidenciam o compromisso do autor com ideais políticos de resistência ao regime ditatorial e provocadores dos órgãos de censura. Com exceção de O reacionário, de cuja encenação não se tem notícia, todos os demais textos de As peças precoces, e ainda os textos Os Desinibidos e Crime e impunidade, produzidos nos primeiros anos da década de 1980, foram encaminhados à Censura e possuem registro no Arquivo Nacional – DF, que disponibilizou cópias dos certificados de censura, documentos relativos aos textos e testemunhos datiloscritos e impressos. Tais produções podem ser consideradas importantes testemunhos da cultura de resistência que marcou o período político brasileiro da ditadura civil-militar.

As pesquisas documental, bibliográfica e filológica que resultam na apresentação desta hiperedição integram as atividades da Equipe Textos Teatrais Censurados – ETTC , que, desde 2006, sob a coordenação da Profa. Dra. Rosa Borges, na Universidade do Estado da Bahia (2006-2009) e no Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia (2006-), tem-se ocupado dos textos teatrais censurados como objetos de estudo no campo da Filologia. Ao catalogar, organizar editar e dar a ler os textos dispersos em Acervos de Teatro e Acervos Privados, cumpre-se o objetivo de recuperar o patrimônio cultural escrito, através do estudo da transmissão dos textos, bem como das diferentes relações que se estabelecem entre o autor e a censura.

ROBERTO ATHAYDE, O DRAMATURGO:
entre neuroses e ressurreições

"Tu é mais burguesa que o cu da ordem dos advogados. Tu é pior que advogada, tu é multinacional, tu é mais bosta que a dona aí da corrupção! Tu sabe falar enrolado porque tu gosta de pobreza pra falar difícil da miséria dos outros!"
Roberto Athayde, em Crime e Impunidade

FAMÍLIA E INFÂNCIA

"Eu não me lembro das coisas. Eu não me lembro de nada. Mas você não se lembra das pessoas. É muito pior não se lembrar das pessoas."
Trecho de No fundo do sítio

Nascia no Rio de Janeiro, em 25 de novembro de 1949, Roberto José Austregésilo de Athayde. Filho caçula do casal Belarmino Maria Austregésilo Augusto de Athayde e Maria José de Athayde, Roberto Athayde viveu, desde a infância, um forte incentivo ao seu desenvolvimento intelectual, artístico e político.

Seu pai, que ocupou a cadeira oito da Academia Brasileira de Letras - ABL, chegando a presidi-la de 1958 até sua morte, em 1993, imortalizou-se não somente como cronista e jornalista, mas pela sua militância política, através da qual representou o país como delegado do Brasil na III Assembleia da Organização das Nações Unidas (Paris, 1948), como parte da comissão que redigiu a Declaração Universal dos Direitos do Homem. A produção jornalística de Austregésilo de Athayde tinha caráter revolucionário, militante e de denúncia, coadunando-se com sua visão política defensora da democracia liberal.

Em entrevistas concedidas, Roberto Athayde utilizou o termo ‘fleumática’ (KAUFMANN, 2007) para caracterizar o ambiente de silêncio, isolamento e estudo no qual cresceu, sob o controle de seu pai. Ele não nega o desejo de sua infância de superar a obra do presidente da ABL, ao exclamar que seu pai “era idolatrado como um Deus pela minha mãe [...] sentia-me massacrado pelo seu imenso talento de orador, dom que positivamente não herdei” (ATHAYDE apud RIBEIRO, 2007).

A respeito de Maria José de Athayde, mais chamada por Jujuca, nos poucos relatos biográficos em que foi citada, não há menções que pontuassem além do seu papel de mãe/esposa, exceto no depoimento de Sandroni (2008), em que, mesmo destacando a figura centralizadora e austera do pai na casa, ressalta que a mãe não se restringiu a coadjuvante datilógrafa do patriarca, tendo atuado na maternidade Pro Matre como voluntária.

A austeridade do patriarca que tanto incomodava o jovem Roberto Athayde no ambiente doméstico também é notificada por sua irmã, Laura Constância Austregésilo de Athayde Sandroni. Em depoimento publicado no Museu da Pessoa, Laura Sandroni diferencia a postura de seu pai nos ambientes público e privado, alegando que Athayde era “muito casmurro dentro de casa e muito alegre fora de casa. Era uma diferença grande vê-lo conversar com os amigos nos jantares, coquetéis e etc., e vê-lo sentado jantando ou almoçando com a gente” (SANDRONI, 2008, p.2).

Roberto Athayde também foi muito influenciado por sua tia, a poetisa e tradutora Anna Amélia Carneiro de Mendonça, um nome de extrema importância na história do movimento feminista no Brasil, e também fundadora da Casa do Estudante do Brasil e da Associação Brasileira de Estudantes, o que lhe rendeu uma praça e uma escola pública cariocas em seu nome. Sua filha, Bárbara Heliodora, considerada uma das mais expressivas críticas teatrais e estudiosas do teatro na década de 1970 (UMA OU DUAS..., 1973, p.3), foi outra intelectual influente no círculo de convívio de Roberto Athayde.

Nesse círculo de intelectuais e artistas, cresceu Roberto Athayde, no Rio Janeiro, no Cosme Velho, entre as Laranjeiras e o Corcovado, habitando o Solar dos Abacaxis, mansão histórica tombada como patrimônio e convertido em Casarão Austregésilo de Athayde, em 2011, vindo a ser um centro cultural. Roberto Athayde, irmão de Antônio Vicente de Athayde e de Laura Sandroni, teve uma infância em que andava de bicicleta pela enorme e exótica varanda e pelo jardim com plantas imensas na mansão em que moravam, como afirmou sua irmã, sobre a casa:

Era uma casa do início do século, que não é espacialmente bonita, mas é especialmente simpática, com uma varanda muito grande e um terreno enorme que vai até a rua dos fundos. Então eu fui pra lá com nove ou dez anos e meus irmãos [Antônio e Roberto], os dois, nasceram lá. [...] E meus irmãos aproveitaram mesmo, porque desde pequenininhos, tendo nascido lá, pra eles aquele jardim foi uma maravilha. (SANDRONI, 2008)

Tal jardim era objeto de inúmeras especulações por parte das crianças. É com base nessas lembranças de infância que Roberto Athayde produziu o conto que intitula um de seus livros, O jardim da Fada Mangana (1972).

ERUDIÇÃO INSTANTÂNEA E DESGOSTO PELA EDUCAÇÃO FORMAL

"Dona Margarida criou seus próprios métodos originais de ensino. Chama-se ‘all-pervading didacticism’. [...] Isso quer dizer: método margaridiano de erudição instantânea. É um método inteiramente novo, inventado por dona Margarida, que visa a alfabetização em massa".
Trecho de Apareceu a Margarida

Vivendo em um lar caracterizado pela pouca intimidade com o pai, que, para Roberto Athayde, interessava-se mais por sua própria realização do que com as escolhas e a vida privada dos filhos (KAUFMANN, 2007), o jovem Athayde empenhou-se em se construir como intelectual desde a infância, o que fica evidente na sua dificuldade em aceitar as organizações escolares de seu tempo:

Quando eu era criança eu tinha ideais muito elevados, queria escrever como meu pai, que era o Presidente da Academia, mas também como Machado de Assis, que estava acima dele, que era o fundador. Depois pensava: ‘quem está acima de Machado de Assis’? Só Camões! Então, com dez, onze anos de idade o meu problema psicológico foi ficar obcecado por Camões e comecei a decorar Camões e aquilo virou em problema grave, pois eu era alienado na escola e fui expulso de três colégios; ao invés de estudar, eu recitava Os Lusíadas. Os professores achavam que eu estava ficando maluco, e de certa forma estava mesmo. Pois quando fui expulso do terceiro colégio, que eu achava uma chateação, meus pais desistiram de me educar, aí eu fiquei livre para estudar música, piano e línguas. Foi assim que pude escrever uma peça importante aos 21 anos de idade. (ATHAYDE apud KAUFMANN, 2007)

De fato, aos 15 anos, Roberto Athayde passou a receber aulas particulares, no casarão onde morava, de línguas estrangeiras e piano. Aos 17, foi estudar composição musical em Michigan, nos Estados Unidos, mas não concluiu o curso (UMA OU DUAS..., 1973). De lá, ingressou na Universidade de Sorbonne, na França, onde estudou literatura francesa: “fiz tudo o que quis na vida, fui criado num ambiente inteiramente liberal, apesar de uma certa recusa de meus pais à intimidade. [...] Minha opção sexual não era questão para meu pai” (ATHAYDE apud RIBEIRO, 2007).

De volta ao Brasil, em 1971, Roberto Athayde contava com vinte e um anos de idade quando se iniciou na escrita teatral. Em seis meses, escreveu O reacionário, Um visitante do alto, Manual de sobrevivência na selva, Apareceu a Margarida e No fundo do sítio, e, em seguida, interrompeu a produção até ver um texto seu nos palcos (ATHAYDE, 1973b). Foi com Apareceu a Margarida, em 1973, que Roberto Athayde alcançou fama internacional, tendo em vista que esse é um dos textos do teatro brasileiro de maior repercussão ao redor do mundo, com traduções em diversas línguas, muitas produzidas pelo próprio autor.

“Ele era um delirante, deitou nas glórias da Margarida, e não era para menos”, avalia Aderbal. Marília Pêra ainda estava no palco, no Rio, e ele já falava nas montagens que faria em Paris e Nova York. “O cara desmoralizou a megalomania”, avalia Nelson Motta, que, casado com Marília, estreou na produção teatral com Apareceu a Margarida. (RIBEIRO, 2007)

Para a crítica brasileira, porém, Apareceu a Margarida foi um sucesso sem precedentes, e chegou a ser considerado o primeiro trabalho brasileiro no gênero ‘teatro do absurdo’, como se lê em O Jornal (1971):

Roberto Austregésilo de Athayde [...] acaba de escrever uma peça, num gênero difícil: ‘O Teatro do Absurdo’. A peça deverá ser encenada este mês. Luís de Lima, que tendo sido o lançador, no Brasil, do teatro de Ionesco, vai ser também o apresentador do primeiro autor brasileiro a abordar esse gênero avançado e surrealista. Empreitada de que o jovem escritor se desincumbirá galhardamente, temos certeza. (UMA FLOR.., 1971)

Não foi o ator Luís de Lima quem lançou Apareceu a Margarida aos palcos, foi Marília Pêra quem primeiro interpretou a professora Margarida no Brasil e consagrou Roberto Athayde como dramaturgo com apenas 23 anos.

A CENA CONTRA A CENSURA

“É, eu sei que isso representará um grande sacrifício para a burguesia. Mas tem que ser feito. É o caminho irreversível da história.”
Trecho de O Reacionário

O texto não fez por menos: com um teor profundamente político, era de se esperar uma repressão severa. Apareceu a Margarida só foi autorizada à apresentação porque, contou o autor, “no dia do ensaio geral para a Censura, meu pai reuniu na plateia meia dúzia de imortais, dos mais veneráveis e caquéticos” (ATHAYDE apud RIBEIRO, 2007). Dessa forma, os censores foram constrangidos pela presença dos intelectuais na plateia e aprovaram o espetáculo.

O fenômeno Apareceu a Margarida foi, contudo, tão polêmico que, com duas semanas, a peça foi retirada de cartaz e o espetáculo voltou à cena sob a condição de ter as menções ao Hino Nacional Brasileiro retiradas, entre outras alterações. O sucesso de Apareceu a Margarida marcou tanto a carreira do jovem dramaturgo que, segundo ele, outros de seus trabalhos foram impedidos de ter repercussão. Para Roberto Athayde, interessa-lhe que outros de seus trabalhos sejam montados.

OSTRACISMO E RESSURREIÇÃO

“LEÃO TROTE – Passar o tempo? E quem é que quer que o tempo passe? Você não vê que o tempo é a nossa sobrevivência? Cada minuto que passa sem a gente fazer alguma coisa é um minuto mais perto da morte que nós estamos.
FAUNO – Qualquer minuto que se passe fazendo ou não fazendo o que quer que seja é sempre um minuto mais perto da morte. Nem é preciso se estar perdido na floresta amazônica para estar nessa situação.”

A carreira de Athayde tem sido atravessada por picos de sucesso e ostracismo. Sua tradução e adaptação de O mistério de Irma Vap, na década de 1980, que permaneceu em cartaz por doze anos, rendeu-lhe o apartamento de três quartos em que vive hoje, no Leblon (RIBEIRO, 2007). Contudo, entre o sucesso de Apareceu a Margarida e O mistério de Irma Vap, sucederam-se quatro estreias de obras que foram consideradas ‘grandes infortúnios’ (REIS, 2015): Um visitante do alto (1974), Manual de sobrevivência na selva (1974), Os Desinibidos (1983) e Crime e impunidade (1983), todas dirigidas por Aderbal Freire Filho, o mesmo diretor de Apareceu a Margarida.

Dessas quatro peças, Os Desinibidos é designada por Freire Filho como o maior dos fiascos das produções de Athayde (RIBEIRO, 2007). A comédia de costumes que estreou a atriz Vera Fischer nos palcos teve seu insucesso atribuído à colagem realizada por Aderbal Freire Filho, de outros dois textos de Athayde na montagem cênica de Os Desinibidos: O jardim da Fada Mangana e Divertissement para ambientes finos, o que gerou conflito entre o autor e o diretor: “isso aconteceu justamente com quem melhor dirige as minhas peças, o Aderbal Freire, na montagem de ‘Os Desinibidos’, com a Vera Fischer. Ele quis fazer uma colagem dos meus textos e ninguém entendeu nada” (ATHAYDE apud SANTIAGO, 1995).

A riqueza de conteúdos simbólicos de Os Desinibidos marcou o retorno de Roberto Athayde à cena teatral brasileira, uma vez que, após a gloriosa estreia de Apareceu a Margarida, em 1973, seguida das montagens de Um visitante do Alto e Manual de sobrevivência na selva, ambas em 1974, o autor permaneceu “seis anos ‘bloqueado’, como dizem os americanos, sem conseguir escrever uma única fala” (ATHAYDE, 1983b). Nesse sentido, o subtítulo da primeira versão de Os Desinibidos, neurose e ressurreição de Roberto Athayde, é uma resposta à provocação que, segundo o próprio Athayde (1983b) o motivou a escrever o texto, proposto por Aderbal Freire Filho, diretor responsável por levar aos palcos brasileiros os seus principais trabalhos. Fica evidente que Os Desinibidos é um texto que representa não apenas a “ressurreição” de Roberto Athayde nos palcos, mas também uma exteriorização de seu pensamento crítico, suas contradições e, citando novamente o primeiro subtítulo, suas “neuroses”.

UMA MENTE AMBICIOSA

“PERO – Depois de grandes cataclismos políticos, atingimos o único sistema verdadeiro. O único que está de acordo com a natureza marciana.
ANTARIS – (Dramático) E qual é esse sistema?
PERO – O capitalismo.
ANTARIS – (Horrorizado, quase chorando) O capitalismo...?”
Trecho de Um visitante do alto

A vasta produção de Roberto Athayde evidencia uma vida dedicada à literatura e ao teatro. Cada trabalho seu o envolve de tal forma que sua produção se confunde com sua experiência de vida e sua visão de mundo. Conhecer sua história, sua concepção de arte, é de fundamental importância para caracterizar o perfil intelectual e polêmico do dramaturgo, cujos textos sempre exploram conteúdos densos, de natureza filosófica, antropológica, histórica, política, psicológica e/ou sociológica. De maneira expressa ou indireta, os textos de Roberto Athayde são carregados de referências literárias, artísticas, políticas e contextuais, o que já foi discutido por Correia (2013), com Apareceu a Margarida (o seu grande sucesso), e por Correia (2018), com Os Desinibidos, considerado o grande fracasso desse dramaturgo cuja história se mostra um ir e vir de neuroses e ressurreições.

O ACERVO

“Se o Brasil vibrou e estrebuchou é problema dos historiadores: eu sou um psicanalista, meu filho! Estou aqui para interpretar a vida privada do cidadão: não tem nada que ver com opinião pública e muito menos com liberdade de imprensa!”
Trecho de Os Desinibidos

Os documentos que compõem o acervo Roberto Athayde: dramaturgia censurada encontram-se organizados em dossiês que se referem a cada texto teatral. Tais conjuntos, por sua vez, são classificados em séries correspondentes a diferentes tipos documentais, tais como produção intelectual, publicação na imprensa e em diversas mídias, documentação censória e estudos. As séries encontram-se subdivididas em subséries, nas quais, por fim, se localizam os itens (ou peças), que são a “menor unidade documental” (BRASIL, 2005, p.110), fisicamente ou intelectualmente indivisível.

Para a classificação de séries e subséries, adota-se aqui, com as adaptações necessárias, a metodologia desenvolvida para o Arquivo Textos Teatrais Censurados – ATTC, proposta por Borges et al (2016).

Posicione o cursor sobre o ícone do texto que deseja e clique em visualizar dossiê para acessar séries, subséries e itens de cada dossiê.

Dossiê Apareceu a Margarida

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Dossiê Os Desinibidos


Os Desinibidos é uma comédia de costumes que se apresenta em duas versões: um datiloscrito de 68 folhas submetido à censura em 1982, com cortes, produzido a partir da colagem de contos e poemas autorais; e uma versão publicada em livro pela editora Record, compondo a coletânea autoral Crime & Impunidade e outras peças (1983).
O dossiê Os Desinibidos integra, em ordem cronológica:


i. 4 contos autorais presentes no livro O jardim da fada Mangana (1974), a saber: Um galo para esculápio (p.33-37); Divertissement para ambientes finos (p.61-76); Estória da Maria Ruinzinha (p.87-90) e O jardim da Fada Mangana (p.119-130);
ii. 1 conto e 2 poemas presentes na coletânea do autor O homem da Lagoa Santa (1979): O jovem burocrata e a senhora normal (p.15-21); Introdução ao conceito do tempo (p.10-11) e Non erit finis (p.72);
iii. 1 datiloscrito autoral com cortes intitulado Os Desinibidos (1982, 68f.), disponibilizado pelo Arquivo Nacional - DF;
iv. Certificados, pareceres e relatórios de censores, ofícios de encaminhamento de processos e outros documentos disponíveis no Arquivo Nacional - DF, totalizando 16 folhas, com datas de dezembro de 1982 a março de 1983;
v. 1 revista do programa do espetáculo (1983, 28f.);
vi. 1 publicação em livro, compondo a coletânea autoral Crime & Impunidade e outras peças (1983), ocupando as páginas 127 a 224;
vii. 2 poemas presentes no livro publicado Abracadabrante (2001): Algos (p.9) e Introdução ao conceito do tempo (p.29-31);
viii. Textos de jornais com menções ao espetáculo Os Desinibidos.

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EDIÇÕES

“Tu é mais burguesa que o cu da ordem dos advogados.
Tu é pior que advogada, tu é multinacional, tu é mais bosta que a dona aí da corrupção!
Tu sabe falar enrolado porque tu gosta de pobreza pra falar difícil da miséria dos outros!”

Trecho de Crime e Impunidade

Posicione o cursor sobre o texto que deseja ler e clique em saber mais (caso queira ler um resumo comentado do texto ou conhecer como foram elaboradas as edições) ou em visualizar, para acessar as diferentes edições.

APARECEU A MARGARIDA

Oferecemos duas modalidades de edição, fac-similar e sinóptica, que enfocam um conjunto composto por sete versões distintas de Apareceu a Margarida, localizadas e datadas em diferentes Estados e períodos: dois datiloscritos (1971 e 1973) e duas publicações impressas (1973 e 2003), produzidos pelo autor ou sob sua supervisão, no Rio de Janeiro, e três datiloscritos localizados nos arquivos da Bahia (1975, 1980 e 1983).
A edição fac-similar é preparada através do software Prezi, organizada pela cronologia das versões. Essa modalidade editorial apresenta a reprodução digital do texto de cada versão isoladamente.
A edição sinóptica (apresentada em modelo Prezi e em modelo de impressão) expõe as transcrições das sete versões lado a lado, evidenciando as transformações do texto e os cortes realizados pela Censura Federal nas versões datiloscritas.


SABER MAIS

Sobre Apareceu a Margarida
Sobre as edições e os critérios de apresentação

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Edição sinóptica em Prezi – ato I
Edição sinóptica em Prezi – ato II
Edição fac-similar em Prezi
Edição sinóptica modelo de impressão

OS DESINIBIDOS

Oferecemos duas modalidades de edição, fac-similar e sinóptico-crítica, baseadas em duas versões de Os Desinibidos: um datiloscrito datado de 1982, com cortes realizados pela Censura Federal, e uma publicação impressa com data de 1983.
A edição fac-similar apresenta a reprodução digital do texto de cada versão isoladamente.
A edição sinóptico-crítica (apresentada em modelo hipermídia e em modelo de impressão) expõe as transcrições das duas versões lado a lado, confrontando suas diferenças e apresentando comentários em links multimídia (no modelo hipermídia) ou em notas textuais (no modelo de impressão).


SABER MAIS

Sobre Os Desinibidos
Sobre as edições e os critérios de apresentação

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Edição fac-similar
Edição sinóptico-crítica hipermídia
Edição sinóptico-crítica modelo de impressão

Contato

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